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"X-Men 3: o confronto final" ou Mentirosos...

Dirigido pelo desacreditado Brett Ratner, o terceiro filme da versão para o cinema dos HQs mais famosos da Marvel, "X-Men 3: o confronto final" carregou consigo a enorme responsabilidade de superar os dois primeiros, e ainda construir uma trama que caminhasse para o desfecho de um conflito complexo entre humanos e mutantes.
Na minha opinião, filmes devem mexer com seus espectadores. Deixá-lo revoltado, feliz, confuso, fazê-lo se mexer na cadeira. X-Men 3, em diversos momentos fez isso comigo, me deixando de boca aberta em várias partes do filme. Alguns acontecimentos são realmente apelativos, como a morte de pessoas essenciais, mas nada melhor do que explorar o último filme para chocar as pessoas com acontecimentos impensáveis. É a hora de chocar, é a hora de impressionar.
A história do filme passa pelo reaparecimento de Jean (Brett Ratner) e pela descoberta de uma cura para a raça mutante. Em relação aos personagens, o filme acaba girando em torno mesmo é de Xavier, Magneto e Jean, enquanto os outros X-men ficam perdidos na trama, ou deixados de lado.

Uma das maiores insjutiças de todos os três filmes foi o mau aproveitamento da Vampira, que neste último não passa de uma garotinha boba confusa com sua identidade por causa de um garoto. Quase uma Vampira Spears. Scott vira um perturbado emocional, Wolverine oscila entre a brutalidade e a postura de mocinho que não lhe cai bem e Tempestade se transforma em uma megera chata e Halle Berry faz questão de mostrar em seu personagem que realmente não queria fazer esse filme.
Mas mesmo com todos os problemas relativos ao posicionamento dos personagens, o filme envolve o espectador com a trama. A descoberta de uma "cura" para os mutantes e a presença forte do conflito ideológico entre Xavier e Magneto combinam perfeitamente com o drama que um filme derradeiro deve ter. "Será o fim?" é a pergunta que deveria e pode ser feita em várias partes do filme. Os efeitos especiais estão impecáveis e a trilha sonora é tímida.
Mas por que dei o título de "Mentirosos"? Porque considero imperdoável um filme que se propõe a fechar uma série, que se propõe a ser o último, cair em um clichê de colocar as últimas cenas abrindo possibilidades para questionar tudo que o filme passou. Quando o filme já está todo fechado, encerrado e sepultado, vir com cenas que colocam tudo em cheque? Fazer o espectador pensar que o filme não acabou ali? Então não se proponham a fazer o fechamento de uma trilogia. Pois este clichê só é aceitável nos dois primeiros filmes, que prevêem uma continuidade. Se é pra encerrar, que encerrem.
Nota? Com todos os prós e contras, e considerando fortemente a idéia de que o filme desperta inevitavelmente alguma coisa (boa ou ruim) em você, dou 4 estrelas.

Escrito por Pedro Fish às 17:19
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"O novo mundo" ou Teste sua paciência em Pocahontas para adultos
Colin Farrell e Christian Bale estrelam essa produção de Pocahontas para adultos. John Smith (Colin Farrell) é um capitão que, durante suas viagens no século 17, chega ao continente americano como prisioneiro. Nesas novas terras, a cultura européia choca-se com os nativos que lá já viviam. Smith ainda se apaixona por uma nativa, Pocahontas (a talentosa Q’Orianka Kilcher).
O objetivo do filme é mostrar o choque de culturas e a diferença entre os mundos dos personagens. De um lado, toda a ganância, incompetência, luta pelo poder e pela sobrevivência dos europeus. Do outro lado, a desconfiança aliada à curiosidade dos nativos, e a também luta pela sobrevivência, mas de maneira gigantemente mais sustentável. Em certo momento até nos questionamos: afinal, quem são os verdadeiros civilizados? Aos poucos os europeus se matam por comida, por poder, se comem, manipulam-se uns aos outros. Enquanto os nativos, com sua profunda ligação com a natureza, mostram-se muito mais racionais que o homem branco.
Um outro foco do enredo se desenrola quando Smith e Pocahontas se conhecem e se apaixonam. Para ela, uma história de amor. Para ele, talvez uma aventura, talvez uma história de amor à sua maneira. Entre diálogos e monólogos, os dois acabam se separando e Pocahontas, agora já Rebecca - devidamente "civilizada", acaba tomando um rumo diferente na vida.
A fotografia é muito bela, o desafio de ambientar o filme no século XVII foi cumprido com paisagens que enfeitam a tela e agradam o telespectador. A trilha sonora (de James Horner, o mesmo compositor da premiada trilha de Titanic) é muito bonita, e muita vezes acaba por cumprir o papel de preencher diversas cenas. Porém, algo muito irritante acontece durante toda a película. O desenrolar do filme ocorre de maneira extremamente longa e devagar, com plano extensos ou muito parecidos, ou simplesmente entediantes. Um filme de 2h e 15min que pode ser contado em 1h, 1h e meia... Talvez para mostrar ao telespectador que a beleza do filme não está no imediatismo, mas nas transformações graduais do mundo.
Mas, sinceramente, com um roteiro que esperou mais de 30 anos para ser aprovado, Terrence Malick (diretor e roteirista) devia ter caprichado mais.
Nota? 3 estrelas, pra quem aguentar ficar dentro da sala até o fim.

Escrito por Pedro Fish às 15:53
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"V de Vingança" ou M de Medo?
 Ficção com uma boa dose de realidade. Com essa fórmula, V de Vingança mostra a que veio. Não somente entreter os espectadores, mas fazê-los criar pontes entre um mundo imaginário e o mundo real. James McTeigue, diretor, soube cuidar do majestoso e apurado roteiro que recebeu a partir das HQs de Alan Moore.
O filme conta a história de "V", o líder de uma revolução para trazer justiça e liberdade à Inglaterra de um futuro próximo. O ator Hugo Weaving está fantástico, pois consegue transmitir todas as sensações mesmo usando uma máscara em tempo integral. Em determinado momento do filme, a curiosidade de saber qual o rosto por baixo da máscara já não faz diferença nenhuma... Excelente trabalho do Weaving, que atua pelos gestos e pela voz, e mais que convence, impressiona o público. (Sem esquecer do mérito dos iluminadores, que com jogos de luz moldavam "feições" para a máscara).
Para acompanhar um trabalho tão bom quanto o de Weaving, ninguém melhor que a belíssima Natalie Portman, atriz israelense que mostra-se uma das melhores da nova geração a cada filme que faz. Em "V de vingança", ela conduz a trama do ponto de vista de cumplicidade. Ela agarra-se à V como quem se agarra à última esperança de que algo pode ser feito para mudar o mundo.
Mais que mostrar as pretenções pessoais de vingança, o filme retrata a relação governo-sociedade de forma brilhante. De forma nada sutil, explora fatos praticamente idênticos aos do mundo atual, como a explosão de prédios pelo terrorista, a ameaça de um ataque com armas biológicas ou espalhar o terror através de uma epidemia.
Mas, para mim, o ponto chave do filme é o medo. O medo em cada momento do filme, representado por cada personagem. O medo de que o mundo não mude, medo de que ele mude. Medo de saber que toda ação tem uma reação. Medo da tortura que renova. Medo do povo, medo do governo. Medo de saber que o governo domina seu povo colocando medo nele. Pensar que o chanceler usa e abusa do medo para que o povo inglês ache que precisa do governo é extremamente análogo ao medo que Bush joga na sociedade americana para justificar seus atos.
Nota? 5 estrelas. Sem dúvida, um dos melhores filmes que apareceram nos cinemas neste início de 2006.

Escrito por Pedro Fish às 14:25
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Cronicamente Inviável
Antes de mais nada...
Algum tempo sem postar, algum tempo sem escrever sobre filmes, algum tempo...
Andei pensando, e percebi que idéia de se criticar um filme, assim como qualquer outro tipo de obra, é julgar com sua opinião, carregada de pré-conceitos, mágoas e emoções algo que tenha um pano de fundo próprio para tudo isso.
E dentro dessa lógica, poderia dizer que o que varia não é qualidade do filme em si, e sim as possibilidades de reflexão que ele proporciona! Assim, decidi falar de um filme ácido, repleto de “tapas na cara”, um filme “Cronicamente Inviável”.

“Venham, todos os povos to mundo...”
Aos críticos depreciativos de plantão do cinema nacional, peço que tirem suas frases feitas e seus óculos de pseudo-intelectuais... Pois este vale a pena!
Tendo um restaurante fino da capital paulista como pano de fundo para a história, temos uma verdadeira lição sobre relações entre empregados, proprietários e clientes. Não deixando uma dúvida sequer a respeito de todos os pormenores em seus entremeios. Destaque para figurinhas carimbadas da televisão brasileira, que estão perfeitos em seus papéis: Dan Stulbach e Cecil Thiré.
Acompanhando Alfredo (Umberto Magnani) por suas idas e vindas pelo Brasil, temos uma visão ampla sobre dominação e opressão social, que chega a dar náusea em diversos momentos do filme.
A graça da coisa está no quanto nos coloca envolvidos, e o quanto é difícil de ser acompanhado. Utilizando de imagens reais, algumas cenas passam a impressão de documentário, o que o torna mais chocante frente ao que relata.
Para tanto, o diretor Sérgio Bianchi demorou anos na produção e edição, coisa não muito comum nas películas brasileiras.

Uma crítica à toda a sociedade brasileira, mostrando que à partir do momento em que se vive neste país é inviável ser honesto ou justo.
Para quem conseguir, eu recomendo... E a nota? 5, claro...
Escrito por Bruno Doug às 09:12
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"Em Busca da Terra do Nunca" ou Processo Criativo
| Especial: Kate Winslet
Filme: Em Busca da Terra do Nunca Título Original: Finding Neverland Gênero: Drama Tempo de Duração: 106 minutos Ano de Lançamento (EUA): 2004 Site Oficial: www.miramax.com/jmbarries_neverland |
Todo artista sabe que um processo criativo não é simples. Para criar um quadro, uma poesia ou uma escultura, é preciso inspiração. E muitas vezes essa inspiração vem da experiência de vida do próprio autor. Assim, o diretor Marc Forster conta no intutulado "Em busca da Terra do Nunca", como o escritor James Barrie idealizou e escreveu sua peça mais famosa, com um dos personagens mais intrigantes e belos do mundo mágico infantil, "Peter Pan".
Barrie, interpretado genialmente por Johnny Depp, é um escritor de já algum sucesso (embora sua última peça tenha sido um fracasso) quando se depara com o desafio de escrever uma nova peça para o dono do teatro local, interpretado por Dustin Hoffman. Na mesma época ele conhece Sylvia (Kate Winslet), por meio de um de seus filhos, ao brincar em um parque. Logo neste encontro, percebemos que Barrie ao mesmo tempo que inventa, descobre, aos poucos, ser Peter Pan.

Se Peter é aquele garoto que nunca cresce, Barrie mostra que o tem dentro de si não é muito diferente. E que ele é para a família se Sylvia a mesma coisa que a família dela representa para ele: uma fuga da realidade maçante. Winslet está maravilhosa num papel difícil, que mistura doença e a dificuldade de um futuro incerto. Naquela época, perder o marido e criar quatro filhos era perfeitamente possível, mas perante a sociedade um problema a ser carregado. Se, por um lado, a convivência de Barrie e Sylvia fazia bem a ambos, para os outros era um alvo de fofocas, já que Barrie era casado. O relacionamento de Barrie com sua mulher é um ponto interessante, que me parece ser o único da trama que mostra que Barrie não é tão "perfeito" assim.
Outro ponto interessante é a maneira como Barrie se propõe a quebrar a seriedade e monotonia das encenações teatrais da época. Como sua peça dependia extremamente da imaginação e da inocência infantil, ele tem a brilhante idéia de levar várias crianças para a platéia de sua estréia, que riem e se divertem sem estar presas às formalidades da sociedade. E, acabam, claro, por contagiar os adultos presentes, quebrando todo o gelo que predominava o teatro.
"Em busca da Terra do Nunca" é um filme mágico, que deve ser assistido como tal. Muito açúcar na tela, é verdade, mas muito envolvimento com o espectador. Foster acerta em cheio no elenco, na fotografia, na trilha sonora (vencedora do Oscar) e no roteiro.
Nota? 4 estrelas, mas pra quem tá disposto a assistir um filme bonito e leve.

Escrito por Pedro Fish às 17:50
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"Syriana - a indústria do petróleo" ou Dai-me forças para assistir...

Assisti Syriana já faz algum tempo, mas ainda estava pensando se escrevia sobre ele ou não. Primeiro porque não consegui prestar atenção durante o filme inteiro e segundo por não entender várias partes. Mas acho que esse são pontos válidos de análise também.
Syriana conta a história de Robert Baer (George Clooney) que trabalha na CIA e investiga, durante anos, terroristas no mundo todo. Na medida em que a ação deles passou a ser cada vez mais forte, Baer observa a ação da CIA sendo deixada de lado para dar lugar à politicagem. Conseqüentemente, muitos sinais de ataques foram ignorados pela falta de tato dos políticos ao lidar com terroristas. Mas esses problemas começam a entrar numa esfera pessoal quando Bryan Woodman (Matt Damon), um executivo do ramo petrolífero, e sua mulher são envolvidos nessas tramas.
E por aí vai, mas pra vocês terem uma idéia da complexidade do filme, eu tive que consultar a sinopse pra poder entender isso. O filme possui muitos personagens diferentes, se passa em muitos países diferentes e a mudança de um pra outro é brusca, sem muita explicação e pega o espectador muitas vezes despreparado. É normal não entender quem é mocinho, quem é bandido, exige muito do espectador que, se não tiver paciência, sai sem entender nada mesmo...
A fotografia é bonita, mas cansativa. O jogo entre política e religião é muito interessante, principalmente quando percebemos que o que importa é sempre o lucro, e para isso tudo é justificável, inclusive a corrupção. Aliás, uma frase muito boa, que é dita em certa cena, é "Corrupção é nossa proteção", mostra que o ambiente é pleno de manipulação política, em contraposição ao bem-comum.
Sobre o Oscar que Clooney levou por seu personagem, só tenho a dizer que a Academia adora premiar pessoas que fizeram algum esforço físico para encarnarem o personagem, e que discordo disso. O que deveria ser premiado é o esforço psicológico, e pra mim a atuação de Clooney (que mais gordo e de barba, fica quase irreconhecível) foi completamente normal, não teve nada de excepcional pra merecer um Oscar. Mas claro que esse Oscar também foi um consolo por não dar o prêmio de melhor diretor por Boa Noite e Boa Sorte, que ele também concorria.
Enfim, não recomendo Syriana, um filme muito difícil de ver, que requer não só atenção e paciência do espectador, mas muita força de vontade pra assistir até o fim sem dormir um pouquinho...
Nota? 2 estrelas.

Escrito por Pedro Fish às 10:23
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"Boa noite e boa sorte" ou Preto no Branco

Uma aula de jornalismo. Cru, preto no branco, retratado num filme preto e branco. Assim posso tentar definir "Boa noite e boa sorte". Indicado a seis Oscars 2006, o filme conta a história do jornalista Edward R. Murrow, que usa o seu programa na CBS para denunciar o senador Jospeh McCarthy.
David Strathairn, que interpreta Murrow, está muito bem no papel de jornalista e apresentador, a cada vez que seu programa "See it now" vai ao ar, a tensão toma conta da tela e do espectador, pois ficamos com medo do que ele vai falar, do seu jornalismo preto no branco. Assim o filme aborda a questão da liberdade de expressão, e questiona seus limites. Será a televisão, a novidade e grande promessa da época (o filme se passa em 1953) que deixava o rádio como ultrapassado, uma mídia tão livre assim?
George Clooney é o diretor deste filme. Um diretor bom, devo confessar, soube carregar o filme de uma maneira fluida, colocando para o espectador um documentário e uma ficção ao mesmo tempo, utilizando inclusive imagens de arquivos reais.
O jargão do jornalista Murrow, e que dá titulo ao filme: "Boa noite e boa sorte", na verdade não parece dito para o telespectador que assiste em casa... é dito por eles, para eles mesmos. A respiração, o olhar desviado de Murrow e o cigarro preenchem as cenas que precedem a repercussão que a notícia do dia dará. A linha do jornalismo de Ed que afronta a política, na figura do senador McCarthy, é também a linha fina que o separa de ameaças pessoais e profissionais. Assim que o programa sai do ar, o telefone irá tocar... Carreira em jogo, assim como a reputação. Quanto vale uma boa notícia? Quem é mais forte, os princípios jornalísticos ou os interesses de grupos políticos poderosos? O que vale mais, a imagem ou a realidade? A resposta é pessoal, e para um jornalista criticado fortemente por um jornal a vida não vale uma imagem suja (um coadjuvante chega a se matar por isso).
O filme que retrata a televisão da época de 50 mostra que pouca coisa mudou. O que passa na televisão, no telejornal, nem sempre é a realidade. Manipulações estão por trás de cada notícia. Se Mccarthy parecia um louco perturbado caçador de comunistas, por que não comparar diretamente com a censura de Bush, que veta imagens de civis iraquianos sendo torturados ou esconde barbaridades de uma guerra que eles mesmos criaram por ideais que consideram nobres? Não há diferença. McCarthy não foi derrotado, muito pelo contrário, hoje ele tem muitos outros nomes, muitas outras caras. E não só a televisão, mas os princípios éticos do jornalismo parecem estar fadados à sucumbir eternamente os interesses do poder. Se a imprensa é o quarto poder, pode ter certeza que existem outros três na frente.
Nota? 4 estrelas.

Escrito por Pedro Fish às 15:25
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"O Segredo de Brokeback Mountain" ou Ousadia Contida
O balado filme de 2006! A grande promessa do Oscar! Um passo importante para a consciência homossexual! Pode ser, mas um filme que vai de razoável a bom, não muito mais que isso.
"O Segredo de Brokeback Mountain" conta a história de dois cowboys (na verdade rancheiros, ou pastores), Jack Twist e Ennis del Mar. Eles se conhecem à procura de um emprego para cuidar de ovelhas na montanha Brokeback. Lá, trabalhando dia e noite e convivendo somente um com o outro, começam a sentir uma amizade que, aos poucos, vai se transformando em carinho maior e, finalmente, em amor.
A gradação dos sentimentos é um ponto forte do filme, que transmite extrema naturalidade à narrativa. Os sentimentos se confrontam diretamente, porém, com as atitudes. O primeiro contato sexual dos dois é feito por pura atração, num sexo sem afeto, seguido de "isso não vai acontecer mais, eu não sou gay". É preciso conciliar atos e sentimentos, e o roteiro o faz muito bem.
Com o passar do tempo, cada um segue seu caminho, se casa, mas se vêem de tempos em tempos. Jack quis viver o romance permanentemente, com uma vida a dois mas, frustrado, só consegue de Ennis a Brokeback a cada passar de anos. Já o que predomina em Ennis é a solidão e o medo...
Excelente trabalho dos atores. Palmas! Jake Gyllenhaal e Heath Ledger estão impecáveis! Jake como o sonhador e destemido Jack Twist passa toda a vontade de enfrentar tudo e todos pela vontade de ser ele mesmo... Já Heath, com o fechado Ennis, nos transmite todo o sufoco de seus sentimentos, suas opiniões em cada expressão facial cerrada. Michelle Willians também faz um excelente trabalho interpretando a esposa traída de Ennis, nas poucas cenas em que aparece, nos faz sentir o ódio no seu olhar, e a vontade de extravasar tudo que tem entalado na garganta.

A trilha sonora do filme é bem feita e adequada, embora para alguns possa parecer repetitiva, acho que está dentro dos propósitos de ambientação que uma trilha deve ter. A fotografia, por sua vez, merece grande destaque. As belas paisagens de Brokeback aliada aos ambientes das casas de Ennis e Jack (reparem que a casa de Ennis é sempre mais escura, triste e fechada; enquanto a de Jack tem cores e elementos mais modernos que são um pouco parte dele, mas principalmente parte da mulher dele, que reflete a falta de envolvimento dele no casamento), formam um conjunto digno de Oscar.
Achei, porém, excessiva previsibilidade e falta de originalidade no trabalho do diretor Ang Lee (que só foi elogiado pela crítica até agora), que optou por tomadas, closes, sequências e posições dos atores bastante convencionais e previsíveis. Um exemplo disso é a primeira cena do filme, em que Ennis está encostado na parede e Jack chega com a caminhonete. Claro que o silêncio, o indivualismo predominante na cena foram propositais, mas Lee opta por uma sequência cansativa, onde vemos claramente o seu dedo controlando a posição e os gestos dos atores, principalmente de Ennis, tirando a naturalidade. Mas admito que ele soube costurar bem a história.
Além disso, o filme se ambienta em um espaço de tempo muito grande, e muitas vezes sentimos que os personagens principais não envelhecem. Enquanto as filhas de Ennis passam de bebês a quase adultas, pouco vemos de mudanças no rosto do pai.
Brokeback foi pra mim, um filme interessante, importante historicamente, mas um pouco decepcionante. Acho que toda a ousadia de trabalhar um tema tão delicado como a homossexualidade em uma época de profunda repressão e em um ambiente extremamente conservador, perdem-se com a pouca profundidade cinematográfica apresentada. Percebo que os sentimentos de cada personagem são bastante fortes e sinceros, mas não sinto isso. Percebo, mas não sinto. Acho que foi isso que me decepcionou um pouco, acho que Lee não usou efeitos para cativar mais o espectador. Falta o público se sentir lá dentro, com as ovelhas, com a montanha, dentro da barraca. Não basta estar sentado na poltrona.
Nota? Por toda a importância do filme e pela ousadia (mesmo que contida), dou 4 estrelas.

Escrito por Pedro Fish às 19:41
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"Mar aberto" ou Eu vou contando as horas...
Você pagaria para ver um filme onde um cara e uma mulher, que vc nunca viu na vida, passam horas no meio do oceano, sem nada em volta, brigando o tempo todo? Não? Ah, mas eu aconselho... pague...

"Mar aberto" é basicamente isso. Vítimas de um erro no controle de mergulhadores por parte de um guia, um casal é deixado por um barco em pleno mar aberto. E ficam ali, sem saber se serão resgatados, se perceberão sua ausência. Mas não são só essas incertezas que os dominam.
O diretor Chris Kentis põe o medo como o principal ingrediente do filme. Medo de ter sido esquecido, medo de ficar cansado, de ficar com fome, de tubarões e, principalmente, da morte. Aos poucos a noite vai chegando, o oceano silencioso vai te mostrando cada vez mais perigoso e o medo aumentando... A proximidade com a morte faz com que eles discutam bastante, digam verdades, se arrependam, se afastem e se aproximem...
O filme foi comparado por muitos à "Bruxa de Blair", não pela história, mas pelo "realismo", pois não usa efeito especial nem imagens de computador. Baseado em fatos reais, os atores Blanchard Ryan e Daniel Travis realmente ficaram no mar rodeados de vida marinha (incluindo os tubarões), protegidos por uma fina rede. Isso só deixa o filme melhor e mais assustador!!!
O filme é classificado como um terror/suspense... Mas eu não acho... Acho que é um excelente drama psicológico recheado de muita tensão e suspense... O melhor? Perceber que crenças mudam, e o maior medo que você têm pode ser tão aceitável e até desejável dependendo da situação em que você está... Inclusive a morte.
Nota? 4 estrelas. Bom demais, com um final de arrepiar qqer um...
Escrito por Pedro Fish às 16:25
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"Terra dos sonhos" ou como conjugar o tempo...

Um filme que retrata que o clássico "american dream" não é tão bonito como parece. Em 2005, nós brasileiros pudemos ver uma novela abordando esse assunto. Mas não, "Terra dos sonhos"(In America) NÃO se parece com a novela, podem ficar tranquilos...
Após perder um filho, um casal de emigrantes irlandeses Johnny e Sarah (Paddy Considine e Samantha Morton -ela foi indicada ao Oscar) chegam à Nova York, com duas filhas e se encontram em um ambiente competitivo, difícil de sobreviver. O pai não consegue o emprego de ator, a mãe é garçonete. Mas pra falar a verdade, os dois são praticamente figurantes nesse filme. Quem dá show são mesmo as filhas (Sarah Bolger e Emma Bolger - também irmãs na vida real), duas crianças inocentes. Terra de sonhos é narrado pelo ponto de vista da filha mais velha, de 11 anos, que, segundo ela, "carrega a família nas costas".
O filme trata de como encarar um futuro desconhecido, em um lugar desconhecido. Mas trata, principalmente, de como realizar um futuro superando o passado. Muitas vezes a dor da perda de um dos filhos os impede de seguir em frente ou de serem felizes. E aos poucos eles terão que aprender que, em alguns casos, o futuro depende de superar o passado para acontecer.
Outro ponto interessante do filme é a linha tensa que o diretor Jim Sheridan (o mesmo de "Meu Pé Esquerdo") mantém em algumas cenas do filme. O perigo da cidade (e mesmo do prédio em que moram), em alguns momentos mantém toda uma tensão no espectador, como quando as filhas batem nas portas dos vizinhos e o assustador - e ao mesmo tempo fabuloso - Mateo (Djimon Hounsou) as convida para entrar...
Podem assistir. Vocês irão se emocionar, um filme belo, sensível, tranquilo e gostoso de ver.
Nota? 3 estrelas e meia.

Escrito por Pedro Fish às 19:59
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Bruno Doug, 23
Psicólogo, Belo Horizonte
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Pedro Fish, 22
Jornalista e R. Públicas, Belo Horizonte

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